CEO da Enter vai ao Senado discutir regulação de Inteligência Artificial

Foi uma honra ir ao Senado Brasileiro para falar sobre regulamentação de IA. Meu discurso focou na ideia de “sonho brasileiro” – a capacidade de jovens brasileiros talentosos encontrarem um ambiente fértil para criar um negócio e começar uma empresa. Acredito que qualquer regulamentação de IA deve ter o propósito de promover o empreendedorismo acima de tudo.
Comecei compartilhando um breve resumo da minha jornada nos Estados Unidos, onde a noção do “sonho americano” nasceu. Aos 20 anos, me formei no Master of Laws (LL.M.) da Harvard Law School, e continua sendo meu maior orgulho que, como brasileiro, fui reconhecido pelo Wall Street Journal como a pessoa mais jovem em décadas a passar no exame da Ordem dos Advogados de Nova York.
Apesar de ter oportunidades para me estabelecer no exterior (incluindo um visto de trabalho e ofertas de emprego permanentes nos Estados Unidos), voltei para o nosso país para embarcar no "sonho brasileiro" de iniciar uma empresa de sucesso, o que levou à fundação da Enter, uma empresa de IA comprometida em aumentar a eficiência de empresas brasileiras como Banco BMG, Sulamérica Seguros, Vivo, Nubank, Agibank, entre outras.
Compartilhei também que o projeto de regulamentação proposto prejudicará a inovação em IA. Acima de tudo, enquanto muitos legisladores pretendem limitar a influência das Big Techs, enfatizei que "regular a inteligência artificial prejudicará principalmente as startups de IA," e não apenas empresas como Google e Meta.
Essa proposta de legislação, particularmente os Artigos 17 e 50, impõe censura prévia do governo a modelos de IA antes mesmo de alcançarem uso amplo pela população e ameaça sanções significativas (o maior valor entre R$50 milhões de reais ou 2% da receita anual da empresa) como punição por violar um procedimento burocrático que será criado para submeter modelos de IA à revisão por uma comissão governamental. Essa abordagem dificultará, por exemplo, nosso acesso a modelos avançados de líderes globais em IA como OpenAI e Google, como resultado do efeito intimidador do projeto de lei que minimiza o incentivo de se lançar um novo modelo no Brasil, efetivamente tornando a Enter menos competitiva no cenário global.
Em conclusão, embora eu reconheça a necessidade de um uso responsável de IA, pedi ao Senado que considerasse "amadurecer o debate sobre o tema antes de implementar a regulamentação."
A legislação existente para responsabilidade civil e proteção ao consumidor é suficiente para garantir que empresas irresponsáveis sejam punidas, permitindo ao mesmo tempo que empresas inovadoras construam modelos de IA livremente. É assim que os países que lideram esse setor – China e Estados Unidos – optaram por abordar a questão. Não devemos impedir o crescimento das startups que impulsionarão o avanço do Brasil em IA.
O Brasil deve promover a inovação, não sobrecarregá-la com estruturas regulatórias lentas e pesadas. Como enfatizei aos senadores, "a missão constitucional do Senado Federal é ponderar sobre qualquer projeto de lei com cuidado, e por isso sugiro, como melhor caminho para esse PL, que ele espere o passar do tempo".








